O correio eletrônico (e-mail) é a única ferramenta de vendas que pode ser usada em todos os momentos do ciclo de relacionamento com o consumidor; na conquista, no momento da venda e no pós-venda. Além disso, é uma das mais poderosas ferramentas para alavancar negócios na Internet, uma forma barata e rápida de promover o site. [1]
Na perspectiva do Marketing Digital, há sete forças que a compõe: personalização, interatividade, globalização, integração, aproximação, convergência e democratização da informação.
O envio de e-mail preenche as forças de personalização, interatividade, integração, aproximação e convergência, pois, permite que um determinado segmento possa ser alcançado com informações pertinentes; permite que haja interatividade entre a fonte de informação e o foco desta, convergindo em ação para tomada de decisão no que se refere à aquisição de determinado produto ou serviço; aproxima a empresa de seu nicho de negócio; e compartilha conhecimento entre emissor e receptor de determinada informação.
Neste foco, podemos citar alguns tipos de mensagens que podem ser enviadas:
- Boletins eletrônicos com novidades ou ofertas dos produtos e serviços
- Boletins de opinião
- Boletins científicos ou técnicos
- Conselho e ajuda sobre o uso dos produtos e serviços
- Mensagens com anúncios que comunicam algum evento ou novidade em particular
Por que não enviar SPAM?
O “e-mail não solicitado”, “lixo de correio” ou “spam” só causa rejeição e desconfiança nos usuários da Internet.
Guedes (2001: 46-47) destaca: “SPAM ou E-mail não solicitado, é um conjunto de e-mails irritantes e cheios de propaganda (de caráter promocional), sem a devida autorização ou permissão de receptor (usuário), sendo considerado uma invasão de privacidade e certamente só contribuíra para prejudicar o nome da empresa.”
A verdadeira grande vantagem da Internet em relação a outras mídias é a possibilidade para enviar mensagens personalizadas de forma fácil e pertinente, alcançando resposta indexada e retorno de investimento muito superior em relação à publicidade por meios massivos.
O marketing baseado na permissão é muito mais efetivo e permite relações frutíferas e duráveis com os potenciais clientes. Por outro lado, se a empresa tiver uma estrutura de divulgação de um produto ou serviço baseado em SPAM, ninguém confiará nela e também não lhe fornecerão seus dados para receber informação personalizada, ou ainda, adquirir seus produtos.
O SPAM prejudica irreversivelmente a imagem da empresa e deteriora os meios de comunicação introduzindo um “ruído” em um canal que poderia ser muito mais efetivo para se comunicar com os potenciais clientes.
Algumas pessoas que enviam SPAM utilizam uma mensagem original que nada têm a ver com legislação:
Esta mensagem é enviada com a complacência da nova legislação sobre correio eletrônico, Seção 301, Parágrafo (a) (2) (c) Decreto S.1618, Título Terceiro aprovado pelo “105 Congresso Base das Normativas Internacionais sobre o SPAM”. Este E-mail não poderá ser considerado SPAM quando inclua uma forma de ser removido. Para ser removido de nossa lista envie-nos um e-mail solicitando a retirada de seu e-mail para:
Na verdade, nem sabemos se esse congresso aconteceu nem quem são as pessoas que dele participaram. É até piada esse texto. Contudo, eles se acham no direito de invadir a privacidade das pessoas usando esse texto, que é uma prática mais ou menos comum.
A idéia de que um SPAM pode gerar até 0,5% de negócios faz com que empresas e pessoas enviem milhões desses e-mail’s diariamente. Há empresas que enviam até dez vezes por dia o mesmo e-mail.
Essas empresas não têm nem o cuidado de segmentar seu público alvo, enviando aleatoriamente SPAM’s para pessoas que nada têm a ver com seus negócios.
Como exemplo, cito uma empresa de produtos para emagrecer, mesmo eu não tendo problemas com obesidade:
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O mais irritante dessa prática é que dos mais de setenta e-mail’s que eu recebo diariamente, pelo menos quarenta deles são SPAM’s. Isso sem contar aqueles e-mail’s com “aumente seu pênis em 5 cm” ou “compre a apostila de PNL por R$ 19,90“.
Deixei na minha pasta de e-mail’s excluídos todos os e-mail’s de 2008 e há duas semanas excluí todos os e-mail’s SPAM daquele ano. Deletei só 9.300 e-mail’s. O pior é que de todos esses SPAM’s, não comprei nenhum produto dessas empresas. Só encheram meu computador com lixo.
Imagine o tráfego diário de SPAM’s na Internet.
Se não houvesse pessoas que distribuíssem pacotes de software com milhões de e-mail’s, não haveria empresas utilizando essa prática.
A maioria das empresas que usam essa prática não têm servidores de e-mail’s localizados no Brasil. O e-mail geralmente vem com uma extensão .com e não .com.br. E se você clicar em responder a mensagem para reclamar do e-mail, ele retorna com erro, pois não achou o servidor. Este tipo de e-mail é enviado por um servidor SMTP criado pelo próprio SPAMMER (pessoa que envia SPAM).
A saída para reclamar do SPAM é entrar em seu site e ir até a página onde há o formulário de pedido, clicar com o botão direito do mouse sobre a página, clicar no item “mostrar código fonte”, dar um Control + F na janela que se abre, e mandar localizar o código mailto. Na frente desse código há um e-mail, um e-mail real daquele que enviou o SPAM.
Eu costumo preencher um arquivo de cem páginas do Word com a incrição “não me mande mais SPAM” e enviar esse arquivo umas cem vezes para esse e-mail como anexo. Isso enche a caixa postal do fulano e ele costuma parar de enviar o lixo. Se ele não pára, eu continuo enviando o arquivo aumentando para 300 ou quinhentas vezes por dia, até que ele pare.
Como utilizar o e-mail de forma correta?
O E-mail solicitado é uma nova forma de marketing na Internet, isto é, é uma mala direta, onde o usurário manifesta-se a favor do seu envio mediante um prévio cadastro para o recebimento de boletins, informações, notícias, etc; através do site na Internet. (Guedes, 2001: 44)
Mas como usar este fantástico recurso de modo eficiente?
A fórmula para o sucesso da divulgação de produtos e/ou serviços através do E-mail solicitado é montar uma newsletter, ou seja, um boletim eletrônico que contenha informações úteis para o leitor. (Guedes, 2001: 45)
O primeiro passo é atrair o potencial cliente para o Site. A partir daí, desenvolver o hábito no visitante de se preencher um cadastro simples, como nome e e-mail, e suas preferências em relacão a informações. Isto pode se dar em função de alguma premiação ou serviço gratuito que o Site pode oferecer se o usuário preencher o cadastro.
Para atrair o potencial cliente para o Site, existem várias formas, tais como, divulgar o Site em vários mecanismos de busca, trocar banners com outros Sites, promover algum concurso ou sorteio de algum produto, promover o Site em listas de discussão, etc.
A partir disso, começar a desenvolver um Boletim, uma Newsletter com informações que vão de encontro ao nicho de negócio do Site.
Guedes (2001: 45) destaca alguns pontos relevantes para montar uma Newsletter:
- Manter uma certa regularidade dos boletins: garante ao serviço prestado pela empresa, o respeito junto às pessoas que dele usufruem. Os boletins podem ser enviados mensalmente, quinzenalmente ou semanalmente, mas isto dependerá da quantidade de informações a serem divulgadas, da disponibilidade em se redigir boletins. Outra forma, é fixar certas datas para a circulação do boletim (todo sábado, todo dia 5 de cada mês, etc.), possibilita criar o hábito de leitura junto aos seus leitores, previamente cadastrado;
- Boletins curtos: desenvolver boletins curtos garante que muitos usuários os leiam.
- Quanto ao formato: utilizar ou preferir sempre o formato texto puro, pois nem todos os programas de e-mail conseguem ler e-mails em outros formatos diferentes (html, rtf) do texto puro.
- Quanto ao estilo: é interessante numerar todos os boletins de alguma forma (por data, número de edição, etc.), isto cria no leitor o hábito de “coleção”.
- Além de criar um padrão de texto para o cabeçalho, rodapé e para o assunto do boletim (subject).
- Boletins antigos: é interessante disponibilizar um serviço de “números atrasados”, através do site ou e-mail, para leitores que não conseguiram ter acesso a eles, mas que gostariam.
- Boletins esquecidos: “muitos usuários se esquecem de que se cadastraram em seu serviço e podem reclamar que estão recebendo e-mail não solicitado (spam), especialmente se o seu boletim não tiver regularidade de circulação”
- Caso o usuário não queira mais receber o boletim, ele deve solicitar seu cancelamento através do site ou e-mail.
- E-mails que voltam ou retornam: muitos usuários mudam de endereço eletrônico e não avisam, fazendo com que vários e-mails retornem. Quando isto acontecer, deve-se remover da lista todos os e-mails que retornarem. É uma tarefa que pode ser feita de forma manual (geralmente é mais lenta e entediante) ou automática (alguns sistemas retiram da lista de e-mails, todos os que forem inválidos).
Como se nota, há formas de se atrair as pessoas para determinado produto ou serviço e com permissão. Só que isso dá trabalho e, trabalho é uma coisa que as pessoas que enviam SPAM não querem ter, querem o lucro fácil e dissimulado.
Os usuários da Internet estão mais conscientes e terminarão por confiar só em empresas que respeitam sua privacidade.
Guedes, Anibal Lopes. Uso de Técnicas de Marketing Digital no Comércio Eletrônico. UNIVERSIDADE DE PASSO FUNDO INSTITUTO DE CIÊNCIAS EXATAS E GEOCIÊNCIAS. 2001.